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O cigarro pode levar à infertilidade feminina e masculina

Câncer de pulmão, de boca, problemas respiratórios, problemas cardíacos, tudo isso pode estar ligado ao ato de fumar. Embora esses sejam os pontos mais destacados na campanha antifumo, há outro problema: o cigarro pode levar a infertilidade. Seja você homem ou mulher, comece largando o cigarro se quiser ter filhos.

Motivos pelos quais o cigarro pode levar à infertilidade

De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), fumar mata mais de cinco milhões de pessoas anualmente. No Brasil, mais de 17% da população fuma e boa parte destes fumantes são adolescentes. Isso mostra que parte dos jovens podem vir a sofrer com a impotência devido ao cigarro.

Com as centenas de substâncias tóxicas existentes, sendo as mais famosas a nicotina e o alcatrão, o cigarro afeta diretamente a reprodução em mulheres e homens. As mulheres fumantes podem ter a motilidade tubária alterada. Caso a fecundação ocorra, a divisão das células do embrião pode ser afetada, dificultando a formação do blastocisto e implantação do embrião, ou seja, a gravidez será dificultada.

Caso a gestação vá adiante, as fumantes têm maiores chances de sofrer com placenta prévia e parto prematuro. As que não engravidarem poderão ter ausência ou irregularidade menstrual. Mulheres que fumam 20 cigarros por dia têm a fertilidade reduzida em 25%, enquanto as que fumam uma quantidade ainda maior tem essa redução de até 43%.

O problema no homem fumante

Não são só as mulheres que sofrem com o fumo. Homens que querem ter filhos também precisam parar de fumar. Pesquisas mostram que os fumantes têm uma alteração no esperma que leva à infertilidade. Pesquisadores da Universidade de Saarland, ao analisarem uma proteína de nome protamina (dois tipos: P1 e P2), que é essencial para o desenvolvimento dos cromossomos, descobriram que, nos fumantes, a concentração da P2 é mais baixa.

Como a formação do cromossomo é essencial para a reprodução e a deficiência da P2 prejudica a síntese dos cromossomos pelo organismo masculino, eles concluíram que os fumantes podem se tornar inférteis. Com isso, os especialistas alertam que homens que querem ter filhos devem largar o cigarro o quanto antes, para evitarem problemas reprodutivos.

Para ficar mais fácil de entender esses danos causados pelo cigarro, saiba que o fumante tem maiores chances de produzir espermatozoides com forma anormal, dificultando a fecundação, além da redução na produção de espermatozoide, o que dificulta a gestação mesmo quando a esposa não é fumante e não tem nenhum problema reprodutivo.

O cigarro também aumenta a concentração de espermatozoides que não se locomovem e, com isso, não conseguem chegar ao ovócito para fecundar. Se não bastasse tudo isso, os poucos espermatozoides móveis e com morfologia normal que são produzidos ainda têm menor potencial de fertilização. A má qualidade do esperma e dos espermatozoides não prejudica apenas a fecundação natural, mas também a fecundação in vitro. Por tudo isso, o cigarro pode levar à infertilidade.

 

Projeto Alfa – Reprodução Humana – Facebook

Depressão atrasa tratamento de infertilidade

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A infertilidade é um enorme fardo emocional para muitos casais, gerando depressão e ansiedade em 40% das mulheres inférteis, condição que representa o dobro do observado em mulheres férteis. Na estreia de sua coluna na Rádio USP – “Saúde Feminina” –  o doutor Alexandre Faisal cita dados de uma pesquisa realizada nos EUA, com mais de 400 mulheres inférteis. O intuito foi rastrear a relação entre depressão e ansiedade e o atraso no tratamento da infertilidade.

O fato é que as mulheres portadoras de depressão apresentaram mais dificuldades para procurar atendimento, visando ao tratamento do problema. “Um dos dados da pesquisa mostra que mulheres deprimidas tinham até 45% de probabilidade de atrasar o tratamento da infertilidade.”

Segundo Faisal, a infertilidade leva a mulher à depressão; por sua vez, a depressão faz com que a mulher postergue esse tipo de tratamento. Tudo funciona como se elas não acreditassem no sucesso do tratamento, desestimulando o casal a buscar esse objetivo.

 

Projeto Alfa – Reprodução Humana – Facebook

Antioxidantes podem ser eficazes contra a infertilidade feminina

Duas substâncias surpreenderam os pesquisadores ao promover o amadurecimento de óvulos de bovinos em sistema de cultura in vitro que continha líquido folicular de mulheres inférteis por endometriose. Imagem: thessdiet.gr

Duas substâncias surpreenderam os pesquisadores ao promover o amadurecimento de óvulos de bovinos em sistema de cultura in vitro que continha líquido folicular de mulheres inférteis por endometriose. Imagem: thessdiet.gr

Usados como suplementos alimentares por atletas, antioxidantes podem ser inócuos para ganho de massa muscular, mas se mostraram promissores no reparo da infertilidade por endometriose.

Em duas substâncias, muito usadas por esportistas como suplemento alimentar, pode estar a resposta para um tipo de infertilidade bastante comum, aquela causada pela endometriose. São a N-acetilcisteína (medicamento para doenças respiratórias) e a L-carnitina, ou vitamina B11, que é produzida em pequena quantidade pelo organismo humano e encontrada em vários tipos de carnes, laticínios e alguns vegetais.

Com poderes antioxidantes já reconhecidos, as substâncias surpreenderam pesquisadores do Setor de Reprodução Humana da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, ao promover o amadurecimento de óvulos de bovinos em sistema de cultura in vitro que continha líquido folicular de mulheres inférteis por endometriose.

Doença ginecológica que atinge aproximadamente 10% das mulheres em idade reprodutiva, a endometriose caracteriza-se por uma “menstruação retrógrada”, em que células da camada interna do útero (endométrio) são lançadas, com o sangramento menstrual, para fora, na cavidade abdominal.

As causas da doença ainda não estão completamente esclarecidas. Sabe-se que a menstruação retrógrada é comum a 90% das mulheres, mas nem por isso todas desenvolvem endometriose, e que, além de cólicas intensas, a doença pode trazer infertilidade.

Os pesquisadores da FMRP vêm estudando a endometriose e formas de tratar as principais queixas de quem sofre com a doença (dores pélvicas e infertilidade). E foi ao estudar o fluido folicular dessas mulheres que a pesquisadora Vanessa Silvestre Innocenti Giorgi encontrou no “estresse oxidativo”, presente no fluido, a piora da qualidade do futuro óvulo.

O fluido folicular é uma mistura de plasma (parte líquida do sangue) e secreção de células do ovário que ficam “no interior dos folículos ovarianos em íntimo contato com o oócito (futuro óvulo) em desenvolvimento”. O oócito, banhado por esse líquido cheio de nutrientes, cresce e amadurece dentro do folículo ovariano (revestimento do óvulo).

Radicais livres impedem maturação dos óvulos

Conta Vanessa que trabalhos anteriores do grupo de pesquisa ao qual pertence já haviam observado alterações no desenvolvimento de óvulos bovinos em presença de líquido folicular de inférteis por endometriose. E que as suspeitas recaíam no “estresse oxidativo, que é o desequilíbrio entre a produção de radicais livres e de antioxidantes”, já que o fluido apresentava “aumento de alguns radicais livres e diminuição da capacidade antioxidante total”.

Dentro das células, um sistema protege a estrutura celular de efeitos prejudiciais como o causado pela presença do oxigênio. Os elétrons das moléculas de oxigênio dão origem aos chamados radicais livres, que, quando em excesso, provocam o estresse oxidativo, ruim para o organismo.
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O óvulo em si mostra uma área central, na qual se vê o ponto germinal – Ilustração: Henry Vandyke Carter via Wikimedia Commons / Domínio Público .

O óvulo em si mostra uma área central, na qual se vê o ponto germinal – Ilustração: Henry Vandyke Carter via Wikimedia Commons / Domínio Público .

Para confirmar a tese dos efeitos maléficos do estresse oxidativo nos fluidos foliculares, a pesquisadora realizou testes com material recolhido de 22 mulheres com infertilidade: 11 por endometriose e 11 sem endometriose (inférteis por problemas nas tubas uterinas). O líquido folicular e os dois antioxidantes – N-acetilcisteína e L-carnitina – foram acrescentados ao meio de maturação in vitro, após fertilização também in vitro (em laboratório) de oócitos de bovinos.

Os resultados não deixaram dúvida. “As alterações oocitárias provocadas pelo fluido folicular de mulheres com endometriose prejudicam o desenvolvimento embrionário in vitro.” O que comprova a participação do estresse oxidativo nesse tipo de infertilidade. E mais: mostraram a eficácia dos dois antioxidantes na prevenção desses danos.

Tratamento natural da infertilidade

“Nossos achados elucidam parte dos mecanismos patogênicos envolvidos na infertilidade associada à endometriose”, comemora Vanessa. O outro achado, que complementa este, também é bem-vindo, uma vez que abre perspectivas para a possibilidade de uso da carnitina – o antioxidante que se mostrou mais eficiente neste estudo – na melhora da infertilidade natural desses casos.

A pesquisadora lembra que são resultados importantes, mas laboratoriais, ainda não testados na prática clínica. O uso do modelo bovino, conta Vanessa, se dá por ser similar ao humano (que eticamente não deve ser utilizado em pesquisas), além de ser de baixo custo e de fácil manipulação.

Como os antioxidantes testados já são utilizados em tratamentos médicos e de baixa toxicidade, para um futuro, talvez próximo, Vanessa acredita que seu estudo auxilie no tratamento da infertilidade provocada pela endometriose. “A suplementação por via oral com antioxidantes poderia aumentar a chance de uma gestação natural no período de um ano, sem a necessidade de realização de técnicas de reprodução assistida.”
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Fecundação – Foto: via Wikimedia Commons

Fecundação – Foto: via Wikimedia Commons

As duas substâncias antioxidantes podem não ter comprovação científica dos efeitos na performance física e ganho muscular dos praticantes de atividade física. Mas como reparador da fertilidade de mulheres com endometriose começam a ganhar respaldo nas pesquisas da equipe da FMRP.

Nesse caminho, Vanessa continua as investigações nos laboratórios do Setor de Reprodução Humana da FMRP. A pesquisadora trabalha agora em seu doutorado com orientação da professora da FMRP, Paula Andrea de Albuquerque Salles Navarro.

Os achados mais recentes deste estudo estão publicados na edição de março de 2016 da revista norte-americana Reproductive Science. O trabalho já recebeu quatro prêmios, três nacionais – Prêmio Campos da Paz, conferido pelo 26º. Congresso Brasileiro de Reprodução Humana (2014); melhor pôster no 19º. Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida (2015) e menção honrosa no 27º. Congresso Brasileiro de Reprodução Humana (2016) – e um internacional – incentivo financeiro no Congresso da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (2015 – Baltimore, MA, EUA).

Rita Stella, de Ribeirão Preto

Jornal da USP

Assim como a fimose problema nos testículos precisa ser tratado nos bebês

iStockSe você é mãe de um menino, certamente já deve ter ouvido falar da fimose, bastante comum entre garotos. Além dela, há outro problema que afeta cerca de 2% a 5% dos bebês nascidos a termo e até 20% a 30% dos prematuros que merece atenção: a criptorquidia, quando os testículos estão escondidos e não descem para o local certo. “Na maioria das vezes, os testículos foram formados normalmente, mas não desceram corretamente para a região da bolsa escrotal. Podem estar dentro da cavidade abdominal, no canal inguinal ou na região supraescrotal”, explica Paula Presti Popoutchi, pediatra e endocrinologista pediátrica do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo

Ausência de um ou dos dois testículos

Embora grande parte da migração dos testículos ocorra no período gestacional, é comum que a descida completa ocorra até quatro a seis meses após o nascimento. Pode descer só um testículo (criptorquidia unilateral) — o tipo mais frequente –, ou nenhum (criptorquidia bilateral), que corresponde a cerca de 10% dos casos.

Segundo Henrique de Mattos Canto, cirurgião pediátrico-videolaparoscopista do Hospital São Luiz, de São Paulo, o bebê não sente dor ou qualquer outro sintoma com a ausência dos testículos na bolsa escrotal. “Os pais não devem se desesperar”, diz. A criptorquidia é detectada em exame físico feito após o nascimento. Em alguns casos, é preciso fazer ultrassonografia, teste específico com hormônio e videolaparoscopia — cirurgia em que se coloca uma câmera por meio de um pequeno corte no abdome.

Infertilidade e câncer de testículo

“Os testículos têm a função de produzir hormônios sexuais e espermatozoides. Para que façam isso de maneira adequada, eles precisam permanecer na maior parte do tempo numa temperatura cerca de 1ºC abaixo da temperatura corporal. É por essa razão que eles se alojam na base do escroto”, afirma o médico Henrique. Além disso, sua descida é importante para evitar problemas como hérnia inguinal, torção, trauma testicular e aumento da incidência de infertilidade e câncer de testículo.

Segundo estudos, 30% a 50% dos pacientes com criptorquidia unilateral têm mais chances de ficarem inférteis. “A fertilidade é quase sempre normal”, diz a endocrinopediatra Paula. Nas criptorquidias bilaterais, a possibilidade de infertilidade é maior, podendo atingir 70% a 75% dos homens. Já na associação com câncer testicular, há risco até 22 vezes maior em criptorquídicos.

Tratamentos

Existem dois tipos de tratamento, que irão variar dependendo do tipo de criptorquidia. A cirurgia (orquidopexia) é o procedimento mais utilizado e a recomendação é de que ocorra entre os 6 e 12 meses de vida. De acordo com o médico Henrique, a correção cirúrgica é feita sob anestesia geral e consiste em descer os testículos e fixá-los no local de destino, a base escrotal. “Na maioria das vezes, é necessário apenas um dia de internação, com excelente recuperação, sem grandes cuidados pós-operatórios e prescrição de analgésicos”, comenta. Segundo a endocrinologista pediátrica Paula, há casos em que o tratamento é realizado com o hormônio HCG, o qual estimula o amadurecimento do testículo, podendo auxiliar no deslocamento natural do mesmo para a bolsa escrotal.

Após o posicionamento dos testículos no lugar certo, o paciente terá vida normal, mas precisará fazer um acompanhamento anual para evitar complicações, entre elas, a detecção precoce de um eventual câncer de testículo.

 

Fonte: https://estilo.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/redacao/2017/12/26/assim-como-a-fimose-problema-nos-testiculos-precisa-ser-tratado-nos-bebes.htm

Inflamação na próstata pode causar infertilidade

Além das bactérias, sexo sem proteção também pode ser uma causa de inflamação na próstata, ou prostatite (foto: Blog.letstalkhealth.com/Reprodução)

Além das bactérias, sexo sem proteção também pode ser uma causa de inflamação na próstata, ou prostatite (foto: Blog.letstalkhealth.com/Reprodução)

A prostatite é comum em homens com menos de 50 anos e deve ser tratada o quanto antes

Infertilidade é um problema bastante comum. A estimativa é que 15% dos casais descobrem que precisam de ajuda especializada para ter um bebê. As causas podem estar relacionadas tanto ao homem (40%) quanto à mulher (40%), bem como estar associadas ao casal de forma não muito clara (20%). De acordo com o urologista Arnaldo Cividanes, do hospital Saha, em São Paulo, as infecções do trato genital masculino representam um importante fator reversível da infertilidade, atingindo até 12% dos homens inférteis. “A prostatite, que é um tipo comum de inflamação na próstata, está incluída num grupo de problemas de saúde pouco compreendidos, mas que, uma vez tratados, é possível restaurar a função reprodutiva”, esclarece o médico.
O especialista lembra que a inflamação na próstata é o problema mais comum em homens com menos de 50 anos. De modo geral, essa condição impacta significativamente a qualidade de vida dos pacientes. “A prostatite pode ter causa infecciosa ou não infecciosa. Pelo menos 10% dos homens adultos serão diagnosticados com esse tipo de inflamação ao menos uma vez ao longo da vida, sendo que em alguns indivíduos ela pode ser recorrente”, alerta Arnaldo Cividanes.
O médico explica que, por meio de exame clínico, é possível identificar desde uma simples inflamação até sintomas urológicos mais graves. “Dor na região gênito-retal está sempre presente, em maior ou menor intensidade. Mas também há sintomas associados ao trato urinário, como ardor ao urinar, aumento de frequência de micção e sintomas de obstrução. Febre alta, tremores, hipotensão, retenção urinária aguda e até septicemia podem ocorrer na prostatite aguda, requerendo internação em UTI”, diz o urologista.
Segundo o especialista, qualquer bactéria que entrar no trato urinário pode causar uma inflamação na próstata. “Porém, a causa mais comum é por meio de relação sexual desprotegida, quer seja vaginal ou anal. Essa forma de transmissão da doença é mais comum em pacientes acima dos 50 anos, devido a menor atividade fisiológica da próstata. Por isso, a primeira dica para evitar a prostatite é usar preservativo sempre”, esclarece Cividanes.